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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

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Frase do Mês

mau feitio, 02.09.19

Quando uma criança morre o futuro fica mais pobre.

Esta frase não é minha, é uma frase já muito utilizada em vários momentos mas escolhi-a como frase do mês de Setembro, tendo em conta aos últimos acontecimentos nas Bahamas.
Segundo aquilo que passou na TV,  o furacão Dorian começou pela categoria 5 e já destruiu 13 mil casas e causou a morte de algumas pessoas, pelo menos, as últimas notícias anunciaram que duas crianças morreram, salvo erro. A morte é o fim mais triste e penoso que pode haver, principalmente para quem permanece vivo. Eu fico muito sensibilizada quando sei que alguém morreu, sei também que morrem pessoas todos os dias assim como também nascem pequenos seres que se tornarão pessoas. 
Mas, quando uma criança ou crianças sofrem e/ou morrem, simplesmente corta-me o ar, porque uma vida sem antes ter tido a oportunidade de viver como deve ser.

Para quê nascer se o mundo pretende dar tão pouca vida?

E a minha pergunta persiste, onde raio está Deus?

 

Quando uma criança morre o futuro fica mais triste,
O mundo esmorece, a alegria entristece,
A vida torna-se cinzenta porque o amanhã será mais pequeno.
Tudo se torna menor.
Um pedacinho da esperança morre também.

É assim que vejo a morte inesperada, sofredora... que não é natural. Principalmente, é assim que vejo a morte de uma ou várias crianças. 

Hoje estou triste. 

 

morte-em-fuga2.jpg

Imagem retirada do Google Imagens

 

 

Onde está Deus?

Como chegaste aí, mermão?

mau feitio, 21.08.19

Ontem, encontrei um conterrâneo meu a pedir dinheiro na rua. Há muito tempo que não o via. Quando ele regressou à terra, vindo expulso dos EUA (ou do Canadá), penso eu que foi por algo relacionado com drogas. Não sei bem. Mas, nessa altura apesar de tudo, ainda estava bem por aqui... estava na sua vida, talvez com muito pouca capacidade financeira e emocionalmente fragilizado, mas ainda tinha dignidade... vi-o ontem depois de dez anos e deu-me pena. Muito mesmo! 

Mal me viu, reconheceu-me. Ficou feliz de me ver. Falou comigo. A inicio, fiquei maldisposta e confusa, mas depois agi por impulso e antes de o perder de vista, tirei todas as moedas que tinha no bolso de trás das calças, sem olhar a quantia e fui dar-lhe... mas não é sobre isso que vim escrever. 

Bom, a minha questão é: como é que se chega ali? Como é? Porquê? O que acontece na vida de uma pessoa para acabar assim, na rua? A pedir esmola... Onde está esse Deus, que eu acredito que existe, mas onde Ele está? Porquê que permite essa tão pouca vida, chegar tão fundo, à miséria?! 

Porquê que Deus não o segurou na mão e o conduziu para outro caminho?

 ONDE ESTÁ DEUS?

Porquê que as pessoas não se aguentam, não firmam os pés na terra?

Que volta a vida dá para chegar àquilo?

Que raiva que dá!!! E podia ser o ''dono do mundo''. E foi isso, ele quis ser o dono do mundo. Pensou que se aguentaria, que com ele não ia se dar o pior. Que droga doce é essa que cega, que não deixa enxergar o caminho sem volta para onde se vai? Dinheiro, é o nome! A ambição, o poder que quer mais e mais e nem o mundo é tudo para quem deseja essa droga!

Como chegaste aí, mermão? Sai daí!!

Eu recuso-me a aceitar que a rua é o fim... aquela podridão, aquela fome, aquela miséria...RECUSO-ME! Sai daí!! 

Firma os pés na terra e não te percas nesse mundo frio, cruel e monstruoso que é a rua! 

 

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Imagem retirada do Google Imagens

 

Reflexão

mau feitio, 02.06.18

Já passaram as dores, as tristezas, as quedas,os choros, a solidão do passado mas ficaram as lembranças, as memórias e essas também doem e como doem... por mais que eu descreva, explique nem mesmo que eu desenhe, mesmo que seja contado com todos os pormenores… só eu, só eu e Deus, como se costuma dizer, é que sabemos. Que agonia! Que agonia não ter ido, mas eu fui, apenas parece que não fui. Parece que fiquei suspensa numa bolha e fui mandada para longe e assisti à minha vida a acontecer sem a poder comandar. Por mais que eu queira esquecer, eu nunca vou esquecer. Nunca me vou curar. Não há cura para as marcas da vida, para as cicatrizes que ficam depois das feridas. Não há remédio. Só existem analgésicos que amenizam a dor temporariamente, mas de vez em quando, lá está ela a latejar, a doer, a pisar, a magoar, a dizer: ‘’tu foste fraca!’’, ‘’não conseguiste! Não és nada!’’, ‘’devias ter vergonha!’’  e a zombar de nós. Os outros que nos veem a sofrer, pensam que somos fracos mas, na realidade, os outros são apenas os outros e só se compreende a dor dos outros, pelo menos, só nos calamos, quando sofremos, quando a vida nos abre feridas e deixa as suas marcas.
Até lá, somos os mais fortes, os invencíveis e os mais idiotas também por pensar que não nos vai acontecer connosco. 

Tristeza

mau feitio, 12.02.17
Bom dia, Tristeza,
Sabias que também tens beleza?
Sim, Tristeza,
Também tens beleza
 
Porque gostas de solidão?
Porque te refugias na escuridão?
 
Não chores, Tristeza,
Eu estou aqui
Dá-me a mão, Tristeza,
Vem para perto de mim
 
Tristeza,
Não fujas
Não sejas triste
 
Adeus, Tristeza,
Sabias que também tens beleza?
Sim, Tristeza,
Também tens beleza.
 

Dina Coelho, Tristeza - Um Sonho de Criança.
 

Imagem do Google Imagens



Deixei de gostar de ti!

mau feitio, 25.11.16

Houve um tempo que sim, que eu dizia a todas as pessoas ''gosto muito de ti'', ''estás muito bonita(o), '' és incrível'' e que abraçava toda a gente, várias vezes por dia. Não porque sou a mais fraca ou carente, a mais menina, miudinha, franzina, a que precisa caridade, de mais carinho ou mais amor, atenção, aquela que, apesar de adulta não passa de uma ''teenager'', uma rebelde adolescente aos olhos da maioria só por causa da minha aparência, porque eu tenho uma deficiência. Como se isso me roubasse o direito de ser mulher, como se não fosse uma mulher com o mesmo que as outras têm.  
Bom... onde eu ia mesmo?! Ah... no ‘'gosto muito de ti''. Nunca o disse pela razão acima referida, mas porque eu penso que a vida não é eterna, há pessoas que se vão para nunca mais voltar e é quando elas estão connosco que devemos exagerar no carinho e dizer o quanto gostamos delas todos os dias. É preciso amar incondicionalmente e viver a vida intensamente todos os dias!
Quando eu manifestava o meu carinho, as pessoas infantilizavam o meu gesto, riam-se (rir-se do carinho que tu demonstras por alguém?!) e achavam-me exagerada. Outros, sentiam-se envergonhados e ficavam desconcertados (não vá alguém pensar que se estão a aproveitar da miúda deficiente) como se eu gostasse de'' comer'' qualquer coisa.... Ai meu Deus! Valorizem-se, mas enxerguem-se! Façam esse favor a vocês próprios. Ou os muito adultos que não se abraçam... Depois, vinham os''responsáveis'' chamar-me a atenção... Que seria de mim sem eles? Pobres coitados é o que são. Antes de me quererem acertar, acertem-se a si próprios. É só o que vos digo.
Isso magoava-me, mesmo que eu não dissesse ou mostrasse, porque faço-me de tola muitas vezes para não chatear ou para me proteger até ao dia que parei e fez-se luz dentro da minha cabeça, ''se me magoa é porque não são as pessoas certas para fazer parte da minha vida'', então... aos poucos fui-me desapegando de todas as maneiras.
Afinal, eu não quero aborrecer nem constranger ninguém com os meus gestos de carinho. E, de repente, comecei a fazer falta. Mas, a carente era eu, não era?
Durante um tempo aceitei as migalhas que me davam, permiti que fizessem caridade comigo e que me invadissem porque quando nós estamos vulneráveis deixamos que nos tratem da forma que lhes apetecem... Até que nos mandem limpar a boca. É verdade. Deixamos que, quaisquer pessoas saibam das nossas histórias, desabafamos com qualquer um e, ainda se sentem os salvadores do mundo.
Fazem-nos acreditar que não somos mais do aquilo, a apêndice de alguém, os necessitados do mundo, que sem eles, nada seríamos. Foi assim que  eu permiti que muitas pessoas durante muito tempo me tratassem. Como se, antes aster conhecido já não era gente.
Sinceramente? Eu penso que essas precisam de se sentir úteis e, aproveitam-se de outras para se elevar.(pessoas muito caridosas, generosas, bondosas... e o raio que as parta).
Como diria Martha Medeiros: '' estar com alguém só para não estar sozinho é uma solidão mal administrada.''E é mesmo! Era assim que eu me sentia.
Eu sempre fui mais que isso e vou continuar a ser. Estarei sozinha quando a vida assim quiser e acompanhada de pessoas que me valorizem, que gostem da minha pessoa e não se comovam com a minha deficiência. Eu não deixei de ser gente por isso, muito menos, mulher! Aqueles que quiserem fazer caridade, pois que vão para a porta da igreja dar esmola! E, de certeza, haverá alguém neste mundo que me vai ver, não é ao calhas que o mundo tem cerca de 7 bilhões de pessoas, não é verdade?


As pessoas são mais do que têm! São universos sem fim com qualidades e defeitos! Todos merecemos mais do que beijinhos na testa e palmadinhas nas costas.




Fotografia da minha autoria