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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

Eu gosto das pessoas que surgem no meu dia a dia e me fazem companhia

mau feitio, 17.08.19

Eu não sou boa nisso de ser amiga. A amizade é algo muito complicado p'ra mim, apesar de considerar que tenho amigos e pessoas que gostam de mim e de eu gostar dessas pessoas e amigos. Mas se calhar, não me consideram uma boa amiga. E porquê? Porque eu (só) gosto de conversar. Se me perguntarem o que é ser amigo, eu respondo que é estar e ser presente, fazer companhia, estar junto nos bons e maus momentos... e sou fiel aos meus amigos e honesta o mais possível. Porém, eu não sou uma pessoa presente como algumas pessoas possam desejar. Eu acho-me presente. Se me pedirem ajuda, eu dou. Se uma pessoa passar fome, eu dou de comer. Se um amigo precisar de mim, eu deixo tudo, corro o mundo, quase me mato para amparar o meu amigo. Mas... não sou amiga de sair à noite, de beber, de sair em grupo... de estar sempre lá nas futilidades do dia a dia...  não gosto de ir às compras com amigas quando elas não sabem o que comprar e ficam horas a escolher...  não gosto de comer sempre nas esplanadas por causa do fumo, dos mosquitos que podem apoderar-se da minha comida e da poluição sonora. Não convém ir à praia sozinha ou com alguém que não consiga estar comigo na àgua por causa do meu braço paralisado, tenho que ir a piscinas. Muitas vezes, tenho que me dirigir a piscinas de entrada paga e nem sempre as pessoas estão dispostas a isso. E, mesmo quando se trata de piscinas naturais como na minha zona, algumas pessoas têm um certo nojo por causa das algas e musgos que o mar traz. Não é sujidade, mas pronto. São raras as pessoas que gostam de ir ao cinema, por causa das outras opções que existe (Internet),  e eu adoro ir ao cinema, mas vou quase sempre sozinha, até porque já sei o que quero ver e não sou indecisiva. Eu adoro comer! Não é de ir a restaurantes caros para ser vista mas sim, de comer um grande prato de comida e não conheço ninguém como eu.

*

Gosto de conversar. De estar com quem surge no meu caminho, de tomar um café e conversar, conversar, conversar e conversar... gosto de um carinho. Toda a gente precisa de carinho e, isso eu tenho. Eu confesso que, às vezes sinto falta de alguém para partilhar alguns momentos do meu dia a dia. Mas é uma consequência da forma como vivo.

Algumas pessoas já me disseram que eu não sei ser amiga, que não sou uma boa amiga e sou eu quem não quer ter amigos. Admito que possam ter razão, mas tenho que ser sincera: se eu não fizesse 98% das coisas que eu gosto sozinha, não fazia nada da vida. Quase sempre, as pessoas querem mudar os (meus) planos. Às vezes, eu combino coisas com as pessoas, quando chega ao momento de fazer, as pessoas desculpam-se que já não vai dar. Eu fico pendurada. Fico sozinha.

Uma vez desabafei com uma pessoa que não era sociável, essa pessoa respondeu-me : '' A Dina é sociável. Mas tem um tempo diferente. Fica mais cansada, vai com mais tempo e vê a vida de outra forma que eles ainda não enxergam. Normalmente, as pessoas vivem tudo num só momento, têm a juventude nas mãos e não têm tempo para o seu tempo. Só se conhece a Dina quando nos sentamos consigo. A Dina tem uma cabeça que nem você sabe que tem.''

 

Não sei se é verdade... mas gosto de viver a vida assim, sozinha, encontrando pessoas no meu dia a dia e conversando com elas.Por isso é que gosto de cotas  de pessoas mais velhas do que eu... porque eles compreendem a minha forma de vida e o tempo deles já é outro. Porém, eu adoro os meus amigos da minha idade, mesmo que me digam que (nunca) estou com eles e que vou e venho. Eu estou mas não como eles querem, talvez. Mas, se chamarem pelo meu nome ''DINA, PRECISO DE TI!'', eu VOU! Podem queixar-se de tudo, menos disso.

Posso acabar mal na vida, mas tenho que viver a minha vida como me sinto melhor. Se mais de metade das coisas que eu gosto de fazer, só consigo fazer em pleno quando estou sozinha, o que fazer? Além disso, não lido muito (nada) bem com o facto de os louvores daquilo que faço sejam atribuidos a quem esteja comigo, a amigos, a colegas. Esforço-me tanto e ouço: ''Já viste, tens aí contigo uma ótima pessoa para te ajudar!'' . Já isso, apetece acabar com tudo.

amigos.jpg

Imagem retirada do Google Imagens

 

28 anos... que horror! Tirem-me deste filme!

mau feitio, 06.11.18

Até já me sinto mais fraca... esta manhã espreitei ao espelho e notei uma ruga num dos pelos da sobrancelha esquerda 28 anos... já? Eu, que adoro chamar os meus amigos cotas de COTAS, estou a caminhar a passos largos para a ''cotice''. Fisicamente, estou há 10 anos nos 15 anos.

- Quantos anos a menina tem? - 27 anos. (a partir de hoje + 1).

- O quê?! Eu dava-lhe 14, 16...

É UMA TRISTEZA! Uma pessoa vai a uma discoteca e vê miúdinhas de 14 anos a entrarem sem problema e eu... com esta idade às costas sou barrada à porta e tenho de apresentar o CC. O que uma bunda grande permite... inacreditável! 

E daí, o que foi que eu aprendi em 28 anos de vida?

Aprendi que, mesmo com 1,46cm de altura (perto do chão) também caio e algumas quedas podem ser fatais. Olhem, aprendi que não vale a pena comemorar este dia com pessoas porque todas as vezes que o fiz, as pessoas estavam com expressão de como se estivessem num enterro, porque na noite passada saíram, porque estavam enjoadas de comer doces ou cansadas. E depois?! Não te convidei para o meu aniversário para anunciares o dia da tua morte. Mas pronto. Eu vi que as pessoas se sentiam obrigadas a estar ali comigo (talvez ainda não encontrei as pessoas certas), então deixei de fazer uma festa por causa disso e vivo um dia normal. Vou trabalhar, estou com pessoas na minha hora de almoço, recebo os parabéns de quem se lembra ou vê no Facebook e quer dar. Quem não quiser dar os parabéns, que vá... isso! Ao fim do dia, volto para casa, estou com a minha família, tenho sempre bolo e amor. Assim, ninguém se sente obrigado a estar comigo. Se for dia que não vá trabalhar, fico por casa ou escolho fazer alguma coisa que eu goste sozinha ou com quem realmente me apraz. Lembro-me dum aniversário em que estava sozinha, acordei, cuidei de mim, saí, fui almoçar fora, penso que fui ao cinema e comprei um presente para mim mesma dentro das minhas possibilidades e digo-vos foi um dos melhores aniversários que passei. Voltei à casa já era noite, jantei, tomei banhoca  e acabei o dia a ver TV ou um filme. Já não sei. Com o meu tempo, dentro das minhas possibilidades, como eu gosto.Nada melhor.  Uma das coisas que aprendi em 28 anos, foi isso. Não impor, não cobrar, não obrigar. Deixar ir. Aprendi que a idade poderá ser um posto, mas a aparência será sempre uma condenação (como exemplifiquei em cima). Aprendi que o importante não é ter as experiências dos outros, mas sim, as minhas porque as deles não muda nada na minha vida. Só evoluímos com aquilo que aprendemos e não com aquilo que vemos os outros viverem nas suas vidas. Aprendi que só é possível cuidar do corpo quando a mente está sã. Aprendi  o pior estágio da solidão não é estar sozinho, é estar com quem nos faz sentir sozinhos e que os passos mais importantes da nossa vida são dados sem ninguém ao nosso lado. Já aprendi imenso mas ainda estou a aprender. Que venham mais 28 anos com tudo o que tiver de vir com eles, estou aqui. A vida quer ser enfrentada de frente.

Se logo à noite, tiver oportunidade de partilhar uma fatia de bolo convosco, deixarei aqui uma ''amostra'' do bolo.

E vocês, como gostam de passar o vosso aniversário?

Beijs.

 

Deixei de gostar de ti!

mau feitio, 25.11.16

Houve um tempo que sim, que eu dizia a todas as pessoas ''gosto muito de ti'', ''estás muito bonita(o), '' és incrível'' e que abraçava toda a gente, várias vezes por dia. Não porque sou a mais fraca ou carente, a mais menina, miudinha, franzina, a que precisa caridade, de mais carinho ou mais amor, atenção, aquela que, apesar de adulta não passa de uma ''teenager'', uma rebelde adolescente aos olhos da maioria só por causa da minha aparência, porque eu tenho uma deficiência. Como se isso me roubasse o direito de ser mulher, como se não fosse uma mulher com o mesmo que as outras têm.  
Bom... onde eu ia mesmo?! Ah... no ‘'gosto muito de ti''. Nunca o disse pela razão acima referida, mas porque eu penso que a vida não é eterna, há pessoas que se vão para nunca mais voltar e é quando elas estão connosco que devemos exagerar no carinho e dizer o quanto gostamos delas todos os dias. É preciso amar incondicionalmente e viver a vida intensamente todos os dias!
Quando eu manifestava o meu carinho, as pessoas infantilizavam o meu gesto, riam-se (rir-se do carinho que tu demonstras por alguém?!) e achavam-me exagerada. Outros, sentiam-se envergonhados e ficavam desconcertados (não vá alguém pensar que se estão a aproveitar da miúda deficiente) como se eu gostasse de'' comer'' qualquer coisa.... Ai meu Deus! Valorizem-se, mas enxerguem-se! Façam esse favor a vocês próprios. Ou os muito adultos que não se abraçam... Depois, vinham os''responsáveis'' chamar-me a atenção... Que seria de mim sem eles? Pobres coitados é o que são. Antes de me quererem acertar, acertem-se a si próprios. É só o que vos digo.
Isso magoava-me, mesmo que eu não dissesse ou mostrasse, porque faço-me de tola muitas vezes para não chatear ou para me proteger até ao dia que parei e fez-se luz dentro da minha cabeça, ''se me magoa é porque não são as pessoas certas para fazer parte da minha vida'', então... aos poucos fui-me desapegando de todas as maneiras.
Afinal, eu não quero aborrecer nem constranger ninguém com os meus gestos de carinho. E, de repente, comecei a fazer falta. Mas, a carente era eu, não era?
Durante um tempo aceitei as migalhas que me davam, permiti que fizessem caridade comigo e que me invadissem porque quando nós estamos vulneráveis deixamos que nos tratem da forma que lhes apetecem... Até que nos mandem limpar a boca. É verdade. Deixamos que, quaisquer pessoas saibam das nossas histórias, desabafamos com qualquer um e, ainda se sentem os salvadores do mundo.
Fazem-nos acreditar que não somos mais do aquilo, a apêndice de alguém, os necessitados do mundo, que sem eles, nada seríamos. Foi assim que  eu permiti que muitas pessoas durante muito tempo me tratassem. Como se, antes aster conhecido já não era gente.
Sinceramente? Eu penso que essas precisam de se sentir úteis e, aproveitam-se de outras para se elevar.(pessoas muito caridosas, generosas, bondosas... e o raio que as parta).
Como diria Martha Medeiros: '' estar com alguém só para não estar sozinho é uma solidão mal administrada.''E é mesmo! Era assim que eu me sentia.
Eu sempre fui mais que isso e vou continuar a ser. Estarei sozinha quando a vida assim quiser e acompanhada de pessoas que me valorizem, que gostem da minha pessoa e não se comovam com a minha deficiência. Eu não deixei de ser gente por isso, muito menos, mulher! Aqueles que quiserem fazer caridade, pois que vão para a porta da igreja dar esmola! E, de certeza, haverá alguém neste mundo que me vai ver, não é ao calhas que o mundo tem cerca de 7 bilhões de pessoas, não é verdade?


As pessoas são mais do que têm! São universos sem fim com qualidades e defeitos! Todos merecemos mais do que beijinhos na testa e palmadinhas nas costas.




Fotografia da minha autoria