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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

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As histórias de Lia - capítulo I

mau feitio, 07.08.19

Olá, pessoas! Hoje começo a contar as histórias de Lia. Em boa verdade, são pequenos relatos ou excertos um pouco caricatos ou constrangedores da sua vida pelos quais Lia vai passando, tudo relacionado com a sua condição de pessoa com deficiência. Eu vou escrever tentando ser fiel a todos os pormenores mas algumas palavras podem ser minhas, mas as histórias são de Lia.

A primeira situação, foi assim:

 

Não sabes o que se passou hoje. Fui trabalhar e reparei que as pessoas estavam a comentar alguma coisa sobre mim e que estavam chateadas comigo,  ignorei. Passadas umas horas da manhã, fui percebendo mais ou menos o meu nome aqui, ali, acolá, assim e assado. Ao longo do dia, o mesmo zuzuzu, até que percebi! As pessoas descobriram que tenho uma vida sexual ativa... mas porquê que estão chateados comigo?!
Eu sempre soube que metade do pessoal considerava que eu fosse uma criança, um ser angelical, mas não se fica mal com ninguém por uma coisa dessas, nem por isso nem por qualquer ação da vida de uma pessoa, seja lá como ela vive a sua vida. Eu sou uma mulher, bolas! Tenho 24 anos, estão chateados comigo à conta da minha intimidade?!
Eles estavam mesmo de cara virada pra mim, por causa disso! Eu ignorei mas não percebo qual é o espanto... ??? E o que é que elas têm a ver com isso?!

 

Eu não sei se vocês perceberam o motivo pelo qual estavam chateados com a Lia... perceberam?

As pessoas  que convivem com a Lia não ficaram chateados por causa da sua intimidade... mas sim pelo tabu que existe aindaaaa envolvendo a sexualidade e a deficiência. Como foi descoberto, é o que menos importa... isso é lá com ela, mas é inacreditável a forma como a pessoa com deficiência ainda é vista em pleno século XXI.
As pessoas desiludiram-se não foi com a minha amiga, foi com as suas próprias ideias. O pior é que a maioria das pessoas não admitem, até algumas que poderão ler este post, mas poucas consideram que uma pessoa com deficiênca pode ter  e tem uma vida completamente normal em todos os setores.

 

As histórias de LIa (1).png

 

Boa semana!

mau feitio, 29.07.19

Bom dia! 

Comecei a semana com um destaque aqui na blogsfera. Wow!!

Não sabia que um post tão pequeno seria destacado.  (cheia de mania) .Que dizer mais? Ao escrever o post Nunca me arrependo , fui inteiramente franca! Muitas vezes, sou mal vista pelo meus comportamentos reativos (isso existe ''comportamentos reativos'' ?!) relativamente à minha deficiência ou mesmo, considerada infantil, malcriada e por aí fora... mas pessoal, eu não tenho tamanho para tanta paciência.

Apesar de às vezes, ter a minha grande culpa em alguns momentos passados da minha vida, por conta de problemas emocionais que tive (já escrevi sobre isso aqui) e porque quando começo a falar nunca mais paro e, dessa maneira, permiti que me invadissem, eu concluo isto muito rápido: 28 anos de idade, sexo feminino, vacinas em dia, deficiência motora e não mental, diagnosticada como capaz e consciente e responsável pelas suas ações. E mais nada. Algum erro, minha consequência. Algum apoio que necessite? Opá...  eu vejo como é melhor. 

Blá, blá, blá...

Toda a gente precisa de ajuda? Eu também, mas eu escolho quem, quando, onde e como.

Mais alguma coisa?

Uma pessoa famosa disse no outro dia algo como, nós estamos aqui para viver, amar e se f*d*r (dar-se mal, errar, perder) e, pessoal... é isso que quero... viver, amar, fazer o bem e partir a cara milhões de vezes... pois quem não erra, não aprende.

Agradeço ao Sapo Blogs!


*não querendo ser ingrata, mas talvez já sendo... eu escrevo tantos posts e já é a terceira vez que um post no qual o assunto é a minha deficiência é destacado. Num blog com mais de 300 posts sobre tantas outras coisas, só a deficiência é que é destaque? Hum...! 

 

 

 

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Nunca me arrependo

mau feitio, 26.07.19

Isso de dizer ''só me arrependo do que não fiz'', na minha opinião, é mentira, pois toda a gente já se arrependeu de alguma ação na sua vida.

Eu arrependo-me de imensas ações, gestos, palavras, atitudes... situações nas quais devia ter dado mais de mim, momentos nos quais devia ter tido mais calma, etc.

 

Mas há uma ''coisa'' na minha vida da qual eu não me arrependo e eu estou a falar da minha forma de defesa relativamente à minha deficiência. Podem chamar-me do que quiserem; revoltada, infantil, inapropriada, estúpida, malcriada... tanto faz. EU SOU MESMO! Na' m'importo. Mas toca-me no meu problema, p'ra veres até onde vais!

 

Afinal... se não houvesse revoltas, não havia evolução.

A verdade disto!

mau feitio, 12.03.19

Olá! 
Hoje vim falar (escrever) sobre a minha verdade de como é viver com uma deficiência. Eu sei que há pessoas piores, problemas piores, vidas piores, um todo o mundo pior mas  para mim ser deficiente ou pessoa com deficiência (como quiserem chamar) é uma grande

PORCARIA

 

Algumas pessoas dizem-me coisas do género: ''enquanto te vires com uma deficiência, todos te virão assim'', mas alguém está dizendo o contrário? Eu nunca neguei. Mas, se eu tenho uma deficiência, eu vivo com ela, eu sinto-a, eu vejo-a... é legítimo falar sobre ela, como todas as pessoas que falam e escrevem sobre os seus problemas quer a nível de saúde, quer a outro nível e da sua vida no geral o quanto quiser. 1500 vezes, se for preciso. E nenhum problema é maior do que outro, cada um tem os seus, as suas dores, os seus fantasmas e todos temOs legitimidade de falar/escrever sobre isso, SEM QUE NINGUÉM NOS INTERROMPA!

Começando a descascar a batata:

Quando/se eu falo sobre isso, as pessoas fogem ao assunto, tem pressa para fazer alguma coisa, não se querem demorar ali, dizem que eu não me posso ver assim, etc, etc, etc. (eu não me vejo de nenhuma forma, apenas 'tou a falar) MAS quando/se alguém aparece com uma depressão meio fingida, para comover e chamar atenção, toda a gente se compadece, toda a gente ouve, comenta, quer ajudar. (Desculpem-me... eu sei  que a depressão é uma doença séria que atinge mais de metade da população mundial e condiciona milhares de setores na vida de uma pessoa, mas convinhamos e sem julgamento, que existem pessoas que por um dia sem sair de casa, ficam desnordeados da cabeça e aí, também acho que as pessoas têm de se acalmar e aproveitar o que têm ao seu redor. Por exemplo, passam uma semana em casa por uma razão qualquer, aproveitem para organizar a casa, para redecorar a casa (mudar a disposição dos móveis), ler, pôr o sono em dia... sei lá... inventem!)
Seguinte, pouca gente perde mais que 5 minutos a falar comigo. Pouca gente: a minha família (FAMÍLIA NÃO É PARENTE), os meus amigos e quem me conhece realmente... ah... algumas pessoas com interesse em algo, perdem tempo... sim. Mas para a maioria,  considera-se que eu não digo nada... não tenho assunto, e eu posso dizer a coisa mais inteligente e séria do mundo que se riem como se eu estivesse a dizer uma piada... ou ficam 

 

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Sexo oposto? Ui... fogem de mim, desviam o olhar e não me dão muita conversa. A maioria deles pensa que eu crio amores platónicos com toda a gente... (não tinha mais nada que fazer),  por isso, evitam-me.

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(Sempre) foi assim, quer socialmente, quer no trabalho, quer em que setor, as pessoas do sexo masculino evitam-me! Só mesmo o necessário do necessário e meme assim... se puderem mandar uma mulher falar comigo por eles...  mandam. Analisemos a situation, eu sou heterossexual, mas por exemplo, se eu fosse bissexual?! Era complicado... hein? Ningué falava comigo. LOL! verdadeiros patetas. Enxerguem-se... vá!
E ser cortejada? Isso já nem existe mas poucos o fazem publicamente, poucos hombres me abordam num lugar público a fim de me conhecer (quando abro a boca e notam a minha fala, lembram-se da ''namorada'' que deixaram no café e se ficam a falar é por pena e acham que sou tola e não percebo o objetivo). A maioria que já é pouquíssima fazem-no só por mensagem  e, mesmo assim, alguns pensam que eu nah percebo niente de niente e acham que me podem ''gozar''. Eu disse ACHAM! Eu só me dou a conhecer a quem eu também quero conhecer (em tudo na minha vida, sempre fui assim). 
Graças a Deus, que não é TODO O SEXO OPOSTO, senão estava desgraçada! 
Dia da Mulher? Qual quê?! Para mim é ''Feliz Dia da Menina, querida!'' . E... já tenho 28 anos mas na cabeça das pessoas, hei-de morrer menina.
Relativamente ao argent, money, money, muita gente pensa que eu trabalho para dar aos meus pais, porque nunca vou sair de casa, nunca me vou casar, nunca serei independente, etc, etc, etc e é só para ter ocupação. Nem os meus pais permitiriam que eu trabalhasse para eles. Ma' pronto. Os outros podem gastar o caracol dos pais ou do seu trabalho no luxo e na boa vai ela e eu não posso ter nem guardar o meu próprio dinheiro porque...? NUNCA ME CASAREI! Uma pessoa não guarda dinheiro pra comer, pra combater problemas futuros, pra quando ficar sem os pais, por exemplo (que seja daqui a muito tempo). Cá nada... uma pessoa só se casa. De resto...  na faz nada.  Idiotas! Ah... pois'é, porque quando os meus pais partirem, eu vou para uma Instituição, assim pensam todos ao meu redor, menos eu e a minha família e uma e outra pessoa de alma avançada. Posso ir, claro. Na minha velhice. Ninguém sabe o que será amanhã, mas nada me impede de tocar a minha vida sozinha, ter o meu emprego, ter a minha casa, os meus pertences...
Mais...?
Ah... a seleção que me perdoe, mas eu passo-lhes à frente. A minha vida íntima, amorosa e privada já foi mais discutida do que o Mundial. Acho que até já foram feitas apostas, palestras e debates sobre isso. Incluindo as pessoas que junto de mim tentam saber quelque chose, COMO SE EU FOSSE TOOOOOOOOLAAAAAAA!!! BAAAAAAAAAAH!!!!!!!! Acham mesmo que vou admitir alguma coisa?
Próximo, já aconteceu algumas vezes, na escola ''somos todos iguais'', ''à mesma altura'', mas depois, as pessoas seguiram para as suas vidas. Todos nós!  Uns foram para doutores, outros engravidaram pelo meio e tiveram de ir mais cedo à vida, outros entraram logo para o mercado de trabalho, outros tornaram-se empreendedores, jardineiros, empregados, etc, etc, etc. Caminhos diferentes e não melhores nem piores.  E, de repente, essas pessoas da mesma idade do que eu e até mais novas, dirigem-se para mim como se eu fosse uma atrasadinha... coitada, uma criança. Isso incomoda-me!! Uma coisa são pessoas mais velhas, ''doutro tempo'' digamos assim, outra coisa são pessoas da minha idade ou  idade relativamente próxima ou mais novas! Arght!  que bofetadas!!!!
As pessoas envelhecem rápido... poooh! Hoje, ''andam de umbigo à mostra'', digamos assim. Amanhã, já pensam como velhas Marias da aldeia! Se bem que... eu acho que é ida ao paradise. Depois de ir, acham que ningué é mais do que elas e eles. Ou, ficaram deslumbradas com o poder e se sentem superiores. Vale lembrar que quando digo elas refiro-me a pessoas.
Prioridades? A maior treta escrita que existe! A maioria das prioridades que tive até ao momento ao meu dispor: umas não se praticam. Estão escritas apenas. As restantes, só me incapacitam e tenho de andar como uma vaca marcada com um número, uma referência... desde infância que é assim. As poucas vezes que eu usufruí de apoios e prioridades, quase que fui apedrejada no meio da rua. Mas é engraçado, pois algumas dessas pessoas que me ''quase'' apedrejaram pelos apoios e prioridades que tive, não tinham a mínima noção da sorte que tinham e têm. Não estou dizendo que não tiveram razão nas criticas e que o motivo não fosse válido, mas como vou explicar... Muitas dessas pessoas nasceram em berço de ouro, a única coisa que tinham de fazer era estudar - obter boas notas - passar de ano. Assim que terminado, já têm trabalho por influência dos pais, pelo sobrenome e etc, muitas delas falavam de dinheiro como de quem fala de água a correr na fonte, sem reparar na pessoa que estava ao seu lado, que podia ter menos possibilidades e sentir-se mal. TAMANHA FUTILIDADE! Às vezes, apeteceu-me dizer (gritar): ''TU QUANDO SAÍRES DAQUI JÁ TENS EMPREGO GARANTIDO, ACORDA! DE QUE É QUE TE ESTÁS A QUEIXAR?!'' e isso, confirma-se! Outros que ouro não tinham, votaram no partido certo, lambem os pés e estão de igual forma bem de vida!
A escola é dos justos e o trabalho é dos afilhados!


Há pessoas que estudam para caramba e merecem o cargo que ocupam, deveras! E, em alguns casos, até merecem mais, mas sabe-se como funciona na maioria das vezes.
Falando de padrinhos, é a tal coisa, poucas das pessoas que se ofereceram para me ajudar em situações passadas, julgavam que eu tenho mais dificuldades do que aquelas que realmente tenho e, em vez de me ajudarem a encontrar algo que, realmente me garantisse estabilidade a longo prazo, foi mais ao contrário. Por isso, a fantasia de que uma deficiência me salva a vida a-c-a-b-o-u. Salvaria, se eu aceitasse passar  de ''atrasadinha'' com + dificuldades do que as que tenho, se ficasse calada e submissa. Mas essa não seria eu. Saber mamar é uma arte e requer que a pessoa engula muitos sapos e não tenha opinião, só a opinião que é induzida a ter. Eu não sei fazer isto: ''Dina, vai pôr o lixo fora. - Sim senhor, é para já'' , por exemplo. Eu responderia: ''Vai tu. O processo é o mesmo.'' Posto isto, fila da agência de emprego espera por mim com MUITO ORGULHO! Antes assim do que estar de cabeça baixa, como uma cassete riscada a dizer: ''Sim senhor, sim senhor, sim senhor!'', há quem só se importa com o caracol na panela ao fim do mês, eu também mas não só com isso. Tenho brio. Não quero a melhor poltrona nem o melhor computador, mas ter a minha função e ser responsável por ela, ter alguma liberdade para construir, sem estar pouco a pouco a perguntar se posso, ter trabalho no meu local de trabalho. Óbvio que, depende do local de trabalho, mas do tipo escola ''Posso?'' , eu não suporto isso. Eu sei que tenho uma DEF. e, por isso, vou sempre ter de recorrer aos abutres ditos normais, mas não quero um trabalho onde esteja sempre sujeita a autorizações e avaliações, como se fosse uma atrasada. Nah gosto disso.
 

Quase a acabar... 


Por mais feitos grandiosos que faça, nunca passarei, na cabeça de muita gente, da petxena deficiente, da menina sorridente. Até posso ''salvar o mundo'', mas quem sou eu? A petxena deficiente, fraca, pequenina, sensível, inexperiente.. etc, etc.
Se ao menos, eu tivesse nascido com 1,60cm, 70... a coisa podia melhorar, mas não.  Na hora de me fazer, Deus disse '' Tu minha filha, não vais só ser deficiente, como também vais uma franga de 1,46cm'' . E, dizendo isto, carregou bem pra baixo. Carrega, Nosso Senhor que Tu sabes o que fazes! Haja fé... e meme assim, eu acredito em Ti! Amén.

Álcool & others drugs, Calma! Não existem outras drogas, só usei o título daquele filme Love & others drugs. Eu até gosto de algumas bebidas alcóolicas mas se bebo em público, fica tudo:

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Bom... essa a  minha verdade mais sincera que consegui para descrever como é viver com uma deficiência.
É como se tivesse de viver dentro de uma  caixa e lá estão todas as alíneas que devo seguir para ninguém me considerar uma doida varrida, mas eu sou uma varrida doida, não pelo que tenho, mas sim por quem sou.
Lembro que este texto foi escrito com todo o humor, a rir-me de mim própria e de muitas coisas que vivi à conta da minha querida estimadíssima deficiência. A intenção nunca foi e não é comover nem ofender/criticar ninguém. Apenas 'tou a escrever COM TODO O RESPEITO. Se eu quisesse ofender ou lavar roupa suja, relatava momentos, nomeava pessoas e etc, etc, etc.
A  minha verdade é que eu estou viva! Estou aqui, sei o que tenho, até onde posso ir e o que fazer, desde que não prejudique ninguém ao meu redor... eu não nasci para agradar. Por vezes, apetece-me enumerar tudo aquilo que já fiz e esfregar na cara das pessoas e dizer: '' tás a fazer o que já fiz?'', mas aí... estarei a dar às pessoas o que elas querem. 

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Beijs

 

 

Imagens: Google.

A razão pela qual eu gosto de trabalhar sozinha (e ninguém compreende!)

mau feitio, 04.01.19

A razão pela qual eu prefiro trabalhar sozinha não tem nada a ver com egoísmo nem individualismo. E eu até sou individualista mas não é por isso nem é para não me ferirem o ego nem tão pouco para não me tirarem o protagonismo. Mas merda! Eu tenho uma deficiência que me confere um problema na porcaria da fala! E, para além disso, eu sou uma nica de gente (1,46cm), e com colegas, eu não faço nada. Entra uma pessoa no meu local de trabalho, eu atendo e, logo depois de 2 segundos, ignoram-me e começam a falar com a pessoa ''dita normal'' .Eu não consigo trabalhar...!  Eu detesto trabalhar para o ''fim do mês''... para isso, ficava em casa a receber uma pensão de invalidez... Eu nãome nego a trabalhar com colegas e até gosto quando há trabalho e funções discriminadas para cada um.  Enquanto colega, eu explico o funcionamento, dou dicas e tudo mais. E, excetuando, os parasitas que só lhes interessa o ''fim do mês'' e a mama, qualquer outra pessoa quer ''mostrar serviço'', ninguém quer prestar para fazer monte. Muito menos eu, mas é o que acontece. Imagem... eu não tenho uma imageeeeeeeeeem por aí a fora e as pessoas recorrem a isso.Muitas vezes, pensa-se que a pessoa com deficiência está ali só para ter uma ocupação e um rendimento...mai' nada.            
Não tenho mais direitos do que outros nem tenho de ter mais atenção e prioridades, mas a verdade é que, se as pessoas ''ditas normais'' não me derem espaço para falar e se falarem por cima, eu não consigo.... sinto-me inútil! Mas, deficiências à parte, é respeitar a pessoa, se um colega começa a falar, o outro cala-se. A não ser que o colega não queira nada no castanho e nós temos que tomar iniciativa. Como todas as coisas da vida. Eu apenas mencionei o meu problema porque quem entra no meu local de trabalho e percebe o meu problema, procura logo a pessoa ''dita normal''. Isso é evidente. No entanto, quando estou a trabalhar sozinha, como estive por um longo periodo até agora, trabalhei muito bem, sem problemas. Infelizmente, na sociedade onde vivemos, o que se pensa da ''pcd'' é que está ali só para ter um rendimento, de resto, as ''pdn'' é que fazem tudo. E quem pensa assim, muitas vezes, são pessoas com formações e cursos, mestrados... não é preciso ir muito longe.
Bom... pessoal, eu sei que as coisas têm outro peso quando estamos ''na boca do vulcão'' e, de fato, eu estou cansada, desanimada... porque eu tenho curso na área, ainda que, profissional. Sei línguas: inglês, tive 9 anos de francês, um pouco de espanhol (portunhol.... vá) e, dedico-me bastante ao trabalho. Mas, mesmo assim, sou ''passada a ninguém'', muitas vezes, por ser uma ''pcd''. Mas, como eu escrevi, deficiências à parte, há muito gente que passa por situações idênticas pelas mais diversas razões. E não é por ser uma ''pcd'' que sou perfeita, santa, que nunca erro nem nada disso. Mas é isso.

 

cp.jpgImagem do Google Imagens

 

 

 

 

 

 

3 de Dezembro: Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

mau feitio, 03.12.18

Bom dia,
Hoje é Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e como todos sabem e podem ler no blog, eu sou uma dessas pessoas mas, hoje não vim falar de mim, chega de falar de mim. Enquanto, andava a ler o Feed de Notícias encontrei algo interessante que talvez vocês já viram tal como eu pela Internet, mas mesmo assim, vou partilhá-lo (o link) porque, nós temos a tendência a associar a deficiência a um determinado rosto específico e a um aspeto físico descoordenado e menos harmonioso do que nas pessoas ''ditas normais''. No entanto, nem sempre a deficiência ou qualquer doença tem um rosto específico e, em alguns casos, ficamos surpreendidos ao descobrir que determinada pessoa tem algum problema desse género.
De resto, o que posso dizer mais? Não sei se tenho algum leitor portador de deficiência, mas quando se fala de deficiência não se metam comigo! Acredita em ti, que tu consegues, vais conseguir mais do que ontem e não permitas que alguém conduza a tua vida, MESMO que, andes de cadeira de rodas a ser empurrado por alguém, tu é que dizes para onde queres ir e ATÉ ONDE QUERES IR!
Queres escalar uma montanha?! Queres subir uma árvore? Queres nadar? Queres casar? Queres andar de bicicleta? Queres sair de casa? Faz por onde! Eu disse que não ia falar de mim, mas só para vocês terem uma pequena noção da coisa: desde que me conheço por gente, sempre ouvi: ''ela não vai conseguir''. Conseguir o quê? Falar, andar, aprender a ler e a escrever e etc. Eu tenho 28 anos e, ainda hoje, eu ouço isso. Resultado? Eu nunca me calo, se me dão conversa é o dia inteiro. Andar? Ando, pulo, dou pontapés e o blog é a prova que leio e escrevo. E, depois?! São os outros que me dirão o que vou conseguir?! Antes disso, dou-lhes uma ''coça'' , daquelas de criar bicho e medo!  Tinha mais que fazer! Cá para nós, o mau feitio deve ser utilizado nessas situações, façam birra, teimam, ''batam o pé'', mas não se rendam às pessoas, podem não conseguir (não vão consegir tudo, é preciso terem essa noção), mas insistam, tentem e só depois da 123345678901234567890123456789098765443234447887643 vez, aceitem que não dá. É engraçado, porque sempre me vieram com esse discurso ''tens que compreender que há coisas que nunca vais conseguir fazer algumas coisas.'', eu respondia que sabia. Mas não é porque tenho uma deficiência, é porque sou filha de pobre e já daí, os meus pais sempre me conscienlizaram que havia coisas que só podia ter quando eu trabalhasse, porque eles não me iam poder dar. Por ter o que tenho, eu acho que nunca foi preciso que me explicassem muita coisa... devido à educação que me deram, eu sempre compreendi muita coisa pois conseguia transferir sozinha para a minha condição. E tudo aquilo que me disseram que não, eu fiz questão de me informar se era verdade ou descobri por mim. 
Acho que é isso, eu nunca permiti (ou quase nunca) que me dissessem o que podia ou não podia fazer nem faço o que me dizem porque acham que sou uma tola e faço aquilo que me mandam. Por exemplo, uma vez, alguém tentou fazer com que eu pagasse a conta do almoço, como se eu não percebesse nada. - ''Agora, a Dina paga o almoço'', eu respondi: ''pago o meu. Eu não comi do teu prato''. A pessoa não estava à espera... ficou tão envergonhada que não sabia onde havia se meter. Noutras situações, quase sempre, eu respondo ''tá bem''  para não me chatear e depois cá na minha vida, eu faço e deixo de fazer o que me apetecer. 
Bom... já me estou a esticar. Desejo-vos uma ótima segunda-feira e tudo de bom.
Beijs.

Diversity.png

 

Link:

https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/celebhub/as-estrelas-que-ultrapassaram-deficiências-e-atingiram-o-sucesso/ss-BBQjdOj?ocid=spartanntp#image=1

Imagem retirada do Google Imagens

 

20 de Outubro

mau feitio, 20.10.18

Hello, pessoal!

Hoje, diz-se ser Dia Nacional da Paralisia Cerebral… que horror!  Mas quem é que tem essa coisa?! 👀😛😛😛😜Eu! É verdade. Já tinha escrito sobre isso, mas foi algo muito dramático… nem sei como foi isso, eu nem sou dramática nem nada. Nadaaaaaaaaaaaa dramática!!! 😇😇😇Vocês acham? Ainda vou dar um jeito naquele texto. Mas, hoje vou tentar escrever algo mais ‘’leve’’.
Eu estive a pesquisar sobre isso para poder partilhar com vocês e encontrei um vídeo explicativo e gostei, principalmente, porque explica que a pc não é igual para todos e, realmente, isso é algo com o qual que eu ‘’sofro’’ muito. Confesso que, por vezes é mais por minha culpa do que outra coisa, mas é importante conscientizar as pessoas sobre o que é e o que não é, porque eu digo-vos eu tenho muitos traumas e o maior preconceito que existe sobre mim é de mim mesma, eu admito. Já lhe disse vezes sem conta aqui no blogue, eu não vou dizer que as pessoas que se apercebem disso, não estão a ver bem. No entanto, é horrível sentir o peso dos olhares do mundo, porque eu tenho uma deficiência, então quando eu digo que é PC, o mundo paralisa, pensando que o meu cérebro parou. As pessoas pensam que uma pessoa (d)eficiente não pode beber álcool, namorar, dizer asneiras, sair à noite, ou seja, não podem viver, não podem viajar sozinhas, trabalhar sozinhas, não podem fazer nada. Isso são só privilégios das pessoas ditas normais?! Ah, obrigada! Há que entender que existem diferentes graus e uma pessoa é uma pessoa.
Percebem a minha revolta? EU SOU MUITO REVOLTADA! Não vale a pena dizer que é mentira. Às vezes, com razão, outras sem ela. Mas quem me diz a mim que eu não posso ou que não poderei fazer isso tudo acima? Onde está escrito? Eu faço e farei aquilo que me der vontade, se for certo, foi. Se for errado, admitirei. E acabou a conversa! Era só o que me faltava! Eu não nasci para morrer como vim ao mundo. Quem me quiser, aqui estou eu. Quem não, continue o seu caminho e seja feliz.
É isto, pessoal. É uma luta, como tantas outras que cada um tem. Toda a gente tem a sua luta. Eu vou fazer o meu caminho, lutar pelo que aquilo em que acredito, que acho importante e quero. Nem sempre certa, nem sempre com razão mas sempre eu mesma! Porque, independente de tudo, o que importa mesmo é:


 
 
 
 
 
 
Video - Youtube (APPC):