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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

Há mais fantasmas do que vida em mim

mau feitio, 05.09.19

Ontem entrei na igreja na qual eu sempre entro quando vou à cidade. Fui lá chorar. No caminho antes de chegar, já era esse o meu intuito, ir à igreja chorar. Assim ninguém me vê. Ensinaram-me a não chorar à frente das pessoas, porque nos julgam fracos. Eu já sou julgada de tanta coisa (também julgo e muito!) que mais um motivo menos um, tanto faz. Mas desde que duas pessoas me fizeram enxergar como era vista, eu tento chorar sozinha, sempre. 
Enquanto estava sentada num dos últimos bancos de trás, ao lado de uma barata que inaugurei desde logo minha amiga. Até lhe dei um nome mas não me lembro. 
Bom, enquanto estava eu ao lado da minha amiga e chorava silenciosamente para não interromper a missa que decorria, olhava para as pessoas de muita ou pouca fé, porém com fé. Considero que sempre que alguém entra na casa de Deus é sempre com fé, em busca de algo, embora não se saiba o quê e não se tencione buscar nada.
Olhava as pessoas, observava os pormenores ao meu redor, ao mesmo tempo, que me perguntava qual é a razão divina para ser como sou e encontrei uma resposta: não há. Não há uma razão divina para quem nasce com uma deficiência, assim como, para quem morre cedo, para quem já nasce morto, para a fome, para a violência... não há razão divina. Só a ciência consegue explicar milhões de situações que ocorrem na nossa vida, no nosso dia a dia. A ciência, a Natureza e a falta de capacidade dos homens de saber viver.
Mas aí a gente vive... mesmo assim. Mesmo assim, não se desiste. Mesmo assim, é a Deus que procuro na agonia, na tristeza, na solidão, no desespero e na alegria. Não sei bem porquê, não tenho respostas para quase nada na vida da parte Dele. Mas tenho de me agarrar a algo, tenho de me segurar em algo. É na mão Dele que me seguro, que me sustento, mesmo que Ele não me dê razões, eu acredito. 

Merecias que eu não acreditasse em Ti, ouviste?! 

Mas, eu acho que a vida é um propósito cheio de outros propósitos e se mesmo sem uma única razão eu Lhe procuro, haverá um propósito que espero um dia compreender. 

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Imagem do Google Imagens

 

Frase do Mês

mau feitio, 02.09.19

Quando uma criança morre o futuro fica mais pobre.

Esta frase não é minha, é uma frase já muito utilizada em vários momentos mas escolhi-a como frase do mês de Setembro, tendo em conta aos últimos acontecimentos nas Bahamas.
Segundo aquilo que passou na TV,  o furacão Dorian começou pela categoria 5 e já destruiu 13 mil casas e causou a morte de algumas pessoas, pelo menos, as últimas notícias anunciaram que duas crianças morreram, salvo erro. A morte é o fim mais triste e penoso que pode haver, principalmente para quem permanece vivo. Eu fico muito sensibilizada quando sei que alguém morreu, sei também que morrem pessoas todos os dias assim como também nascem pequenos seres que se tornarão pessoas. 
Mas, quando uma criança ou crianças sofrem e/ou morrem, simplesmente corta-me o ar, porque uma vida sem antes ter tido a oportunidade de viver como deve ser.

Para quê nascer se o mundo pretende dar tão pouca vida?

E a minha pergunta persiste, onde raio está Deus?

 

Quando uma criança morre o futuro fica mais triste,
O mundo esmorece, a alegria entristece,
A vida torna-se cinzenta porque o amanhã será mais pequeno.
Tudo se torna menor.
Um pedacinho da esperança morre também.

É assim que vejo a morte inesperada, sofredora... que não é natural. Principalmente, é assim que vejo a morte de uma ou várias crianças. 

Hoje estou triste. 

 

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Imagem retirada do Google Imagens

 

 

Onde está Deus?

Como chegaste aí, mermão?

mau feitio, 21.08.19

Ontem, encontrei um conterrâneo meu a pedir dinheiro na rua. Há muito tempo que não o via. Quando ele regressou à terra, vindo expulso dos EUA (ou do Canadá), penso eu que foi por algo relacionado com drogas. Não sei bem. Mas, nessa altura apesar de tudo, ainda estava bem por aqui... estava na sua vida, talvez com muito pouca capacidade financeira e emocionalmente fragilizado, mas ainda tinha dignidade... vi-o ontem depois de dez anos e deu-me pena. Muito mesmo! 

Mal me viu, reconheceu-me. Ficou feliz de me ver. Falou comigo. A inicio, fiquei maldisposta e confusa, mas depois agi por impulso e antes de o perder de vista, tirei todas as moedas que tinha no bolso de trás das calças, sem olhar a quantia e fui dar-lhe... mas não é sobre isso que vim escrever. 

Bom, a minha questão é: como é que se chega ali? Como é? Porquê? O que acontece na vida de uma pessoa para acabar assim, na rua? A pedir esmola... Onde está esse Deus, que eu acredito que existe, mas onde Ele está? Porquê que permite essa tão pouca vida, chegar tão fundo, à miséria?! 

Porquê que Deus não o segurou na mão e o conduziu para outro caminho?

 ONDE ESTÁ DEUS?

Porquê que as pessoas não se aguentam, não firmam os pés na terra?

Que volta a vida dá para chegar àquilo?

Que raiva que dá!!! E podia ser o ''dono do mundo''. E foi isso, ele quis ser o dono do mundo. Pensou que se aguentaria, que com ele não ia se dar o pior. Que droga doce é essa que cega, que não deixa enxergar o caminho sem volta para onde se vai? Dinheiro, é o nome! A ambição, o poder que quer mais e mais e nem o mundo é tudo para quem deseja essa droga!

Como chegaste aí, mermão? Sai daí!!

Eu recuso-me a aceitar que a rua é o fim... aquela podridão, aquela fome, aquela miséria...RECUSO-ME! Sai daí!! 

Firma os pés na terra e não te percas nesse mundo frio, cruel e monstruoso que é a rua! 

 

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Imagem retirada do Google Imagens