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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

Boa semana!

mau feitio, 29.07.19

Bom dia! 

Comecei a semana com um destaque aqui na blogsfera. Wow!!

Não sabia que um post tão pequeno seria destacado.  (cheia de mania) .Que dizer mais? Ao escrever o post Nunca me arrependo , fui inteiramente franca! Muitas vezes, sou mal vista pelo meus comportamentos reativos (isso existe ''comportamentos reativos'' ?!) relativamente à minha deficiência ou mesmo, considerada infantil, malcriada e por aí fora... mas pessoal, eu não tenho tamanho para tanta paciência.

Apesar de às vezes, ter a minha grande culpa em alguns momentos passados da minha vida, por conta de problemas emocionais que tive (já escrevi sobre isso aqui) e porque quando começo a falar nunca mais paro e, dessa maneira, permiti que me invadissem, eu concluo isto muito rápido: 28 anos de idade, sexo feminino, vacinas em dia, deficiência motora e não mental, diagnosticada como capaz e consciente e responsável pelas suas ações. E mais nada. Algum erro, minha consequência. Algum apoio que necessite? Opá...  eu vejo como é melhor. 

Blá, blá, blá...

Toda a gente precisa de ajuda? Eu também, mas eu escolho quem, quando, onde e como.

Mais alguma coisa?

Uma pessoa famosa disse no outro dia algo como, nós estamos aqui para viver, amar e se f*d*r (dar-se mal, errar, perder) e, pessoal... é isso que quero... viver, amar, fazer o bem e partir a cara milhões de vezes... pois quem não erra, não aprende.

Agradeço ao Sapo Blogs!


*não querendo ser ingrata, mas talvez já sendo... eu escrevo tantos posts e já é a terceira vez que um post no qual o assunto é a minha deficiência é destacado. Num blog com mais de 300 posts sobre tantas outras coisas, só a deficiência é que é destaque? Hum...! 

 

 

 

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Deixei de gostar de ti!

mau feitio, 25.11.16

Houve um tempo que sim, que eu dizia a todas as pessoas ''gosto muito de ti'', ''estás muito bonita(o), '' és incrível'' e que abraçava toda a gente, várias vezes por dia. Não porque sou a mais fraca ou carente, a mais menina, miudinha, franzina, a que precisa caridade, de mais carinho ou mais amor, atenção, aquela que, apesar de adulta não passa de uma ''teenager'', uma rebelde adolescente aos olhos da maioria só por causa da minha aparência, porque eu tenho uma deficiência. Como se isso me roubasse o direito de ser mulher, como se não fosse uma mulher com o mesmo que as outras têm.  
Bom... onde eu ia mesmo?! Ah... no ‘'gosto muito de ti''. Nunca o disse pela razão acima referida, mas porque eu penso que a vida não é eterna, há pessoas que se vão para nunca mais voltar e é quando elas estão connosco que devemos exagerar no carinho e dizer o quanto gostamos delas todos os dias. É preciso amar incondicionalmente e viver a vida intensamente todos os dias!
Quando eu manifestava o meu carinho, as pessoas infantilizavam o meu gesto, riam-se (rir-se do carinho que tu demonstras por alguém?!) e achavam-me exagerada. Outros, sentiam-se envergonhados e ficavam desconcertados (não vá alguém pensar que se estão a aproveitar da miúda deficiente) como se eu gostasse de'' comer'' qualquer coisa.... Ai meu Deus! Valorizem-se, mas enxerguem-se! Façam esse favor a vocês próprios. Ou os muito adultos que não se abraçam... Depois, vinham os''responsáveis'' chamar-me a atenção... Que seria de mim sem eles? Pobres coitados é o que são. Antes de me quererem acertar, acertem-se a si próprios. É só o que vos digo.
Isso magoava-me, mesmo que eu não dissesse ou mostrasse, porque faço-me de tola muitas vezes para não chatear ou para me proteger até ao dia que parei e fez-se luz dentro da minha cabeça, ''se me magoa é porque não são as pessoas certas para fazer parte da minha vida'', então... aos poucos fui-me desapegando de todas as maneiras.
Afinal, eu não quero aborrecer nem constranger ninguém com os meus gestos de carinho. E, de repente, comecei a fazer falta. Mas, a carente era eu, não era?
Durante um tempo aceitei as migalhas que me davam, permiti que fizessem caridade comigo e que me invadissem porque quando nós estamos vulneráveis deixamos que nos tratem da forma que lhes apetecem... Até que nos mandem limpar a boca. É verdade. Deixamos que, quaisquer pessoas saibam das nossas histórias, desabafamos com qualquer um e, ainda se sentem os salvadores do mundo.
Fazem-nos acreditar que não somos mais do aquilo, a apêndice de alguém, os necessitados do mundo, que sem eles, nada seríamos. Foi assim que  eu permiti que muitas pessoas durante muito tempo me tratassem. Como se, antes aster conhecido já não era gente.
Sinceramente? Eu penso que essas precisam de se sentir úteis e, aproveitam-se de outras para se elevar.(pessoas muito caridosas, generosas, bondosas... e o raio que as parta).
Como diria Martha Medeiros: '' estar com alguém só para não estar sozinho é uma solidão mal administrada.''E é mesmo! Era assim que eu me sentia.
Eu sempre fui mais que isso e vou continuar a ser. Estarei sozinha quando a vida assim quiser e acompanhada de pessoas que me valorizem, que gostem da minha pessoa e não se comovam com a minha deficiência. Eu não deixei de ser gente por isso, muito menos, mulher! Aqueles que quiserem fazer caridade, pois que vão para a porta da igreja dar esmola! E, de certeza, haverá alguém neste mundo que me vai ver, não é ao calhas que o mundo tem cerca de 7 bilhões de pessoas, não é verdade?


As pessoas são mais do que têm! São universos sem fim com qualidades e defeitos! Todos merecemos mais do que beijinhos na testa e palmadinhas nas costas.




Fotografia da minha autoria