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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

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Mãezinha de António Gedeão

mau feitio, 26.01.19

Eu não conheço muito da poesia de António Gedeão, talvez mereça levar um estalo por isso, mas conheço muito pouco, só a Pedra Filosofal e o poema Mãezinha que conheci na voz do ator Vitor D'Andrade que também não acompanho em lado nenhum, mas foi ele que me fez gostar deste poema através do programa Um Poema por Semana da RTP, que tem como objetivo dar voz à poesia de poetas e escritores que já partiram e que marcaram indevelmente a literatura na língua portuguesa. Os poemas são ditos por várias pessoas, homens e mulheres que, em comum têm o gosto pela poesia. Cada poema é dito por mais que uma pessoa. O programa tem a duração de 3 mintos a 5 minutos.
Quando eu ouvi o ator Vitor D'Andrade a ''dizer'' o poema, eu adorei, pois ele usa um certo sarcasmo e ironia e isso só não dá voz como também dá vida ao poema.

Mãezinha

 A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem misséis.
Corria branda a noite e a vida era serena.
 
Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.
 
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de fiilhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)
 
Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.
 
Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.
 
Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maio sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.
 
Dessas 9 excelentes raprigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.
 
A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igeja.
Foi a minha mãezinha.

 

António Gedeão

 

Elis Regina

mau feitio, 21.01.19

Sábado passado (anteontem) eu vi o filme Elis, mais uma das milhões de homenagens à cantora brasileira Elis Regina. Entre tantos atores, a atriz Andréia Horta  fez de Elis Regina, no filme e é absolutamente íncrivel as semelhanças entre ambas. Há momentos do filme e fotografias em que a atriz parece ser a própria Elis. 
Eu ''conheci'' a Elis Regina através do programa A Tua Cara não me é Estranha, quando um casal de famosos imitou a Elis em dueto com Tom Jobim, cantando Águas de Março. Gostei imenso da canção e, desde daí, fui à procura de outras canções da mesma. Há poucos dias atrás, vi que iam passar o filme na Globo, fui pesquisar e acabei por vê-lo. O filme conta um pouco da vida pessoal e carreira da cantora, digo um pouco porque a vida de qualquer pessoa é muito maior do que 1h54 minutos, mesmo assim, contém o mais importante, o que foi possível de mostrar. Eu adorei o filme, se bem que, na minha opinião,  penso que poderiam ter colocado as datas dos acontecimentos ao longo do filme. É evidente que, se percebe o tempo passa, mas podiam ter colocado a data para termos a noção em que ano se deu tal acontecimento. Pois bem, por curiosidade eu fui pesquisar mais sobre Elis Regina. Portanto, o meu fim de semana foi ''conhecendo'' Elis Regina. Matei metade da minha curiosidade, mas ainda quero saber mais sobre a pimentinha, nome dado a Elis pelo seu temperamento contraditório. Eu vou deixar aqui em baixo os links de onde eu estive a ler. É bonito ver como nasce o artista e as dificuldades por que passam até chegar à glória que,  por vezees, dura tão pouco tempo. Não quero dizer que o artista de hoje não sofra, porque sofre e muito. Acredito. Mas como o artista em 1960, 70's e anteriormente a isso? Não creio. Eu recomendo a ver o filme e a ''conhecer'' Elis Regina, considerada por muitos a maior cantora do Brasil. Com uma vida tão pouca conseguiu emocionar e ''parar o trânsito''.

 

"Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis. Foi um vendedor da gravadora Continental chamado Wilson Rodrigues Poso, que a ouviu cantando menina, aos quinze anos, em Porto Alegre. Ele sugeriu à Continental que a contratasse, e em 1962 saiu o disco dela. Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco no rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil. Está gravado."

Walter Silva

Links e fontes: https://www.mensagenscomamor.com/biografia-elis-regina
Wikipédia
https://www.estudopratico.com.br/biografia-de-elis-regina/
https://www.youtube.com/watch?v=YnAyyho01PM&t=1166s

1_dmjgc_FxJQbh0nZ9UA5XPQ.jpgImagem do Google Imagens

 

602684.jpgImagem do Google Imagens

P.S- Eu peço desculpa por alguma falha de informação ou erro, fazer sínteses e resumos nunca foi o meu forte.