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O blog do Mau Feitio

Experiências, histórias, poesia, opiniões, dia a dia, dramatizações, descontração, gargalhadas infinitas, amigos, momentos, livros, filmes, TV, músicas, pessoas, coisas da vida, do mundo e mau feitio.

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Espreito-te...

mau feitio, 12.03.17
Espreito-te todos os dias por aquela janela, a mesma janela por onde sempre te vi e que nunca sequer imaginaste que te via por lá. Não te vejo claramente nem falo contigo, só te espreito de mansinho para ver se continuas ali, sem esperança pois esta morrera outrora. Morreu quando parti. Quando decidi partir, quando peguei na metade do pouco que tinha, deixando fragmentos das minhas memórias, dos meus ideais e dos meus sonhos espalhados por toda a parte e saí meio atordoada... de cabeça afincada no que tinha de fazer (arrumar tudo antes do dia, não me esquecer de nada, ir ali e acolá, limpar tudo, não deixar nada), determinada sem ouvir nem sentir a dor que me torcia o ser. Mas tinha de partir. Matar ou morrer era a alternativa. Então decidi partir e continuar a viver, matando assim, tudo aquilo que me estava a matar.
Tenho saudades tuas! Saudades? Ridículo sentir saudades do que nunca tive nas minhas mãos, mas sinto-as mais vivas do que outra coisa dentro de mim. Às vezes dou por mim a sorrir sozinha, quando ninguém me vê. Sorrio porque penso em ti. No pouco que te tive, se posso dizer que te tive. Eu sei que não devia alimentar-te em mim, mas confesso que me faz bem.
Hás-me sair de mim quando for tempo, porque há tempo para tudo e tudo tem o seu tempo. Não receio. À mesma não voltarei a ter-te como te tive nem como nunca te tive. Enquanto isso, espreito-te pela janela sempre que a saudade de não te ter tido (como queria) e a saudade de te ter tido forem maiores do que eu. É segredo. Eu gosto de segredos. E tu? Uma vez disseste-me que éramos iguais. Pois somos.
Há uma teoria para esses lados que para se fazerem homens e mulheres têm de ir à discoteca Paraíso. Ridículo. Só meninos e meninas é que podem dizer uma infantilidade dessas... experimentem não enlouquecer durante uma tempestade de recusa, preconceito, de tudo não correspondido, de irrealizações, de solidão e, de um minuto para outro, decidir: ''Eu vou-me embora!'' . Arrumar tudo às três pancadas, deixando metade para trás e sair de madrugada, largando tudo num contentor de misérias... 
 
 
-''Agora estás bem?''
-''Eu estou. Mas nunca fui à discoteca Paraíso. Continuo a ser menina?''
-''Talvez.''
-''Ainda bem. Nunca fui a essa discoteca, mas fui ao Inferno, se pequei antes, certamente que sim, paguei por todos os meus pecados até então''.

Mas conheci-te! Deu tempo. Não te digo adeus porque enquanto vivemos, tudo pode voltar. Espero não voltar ao lugar imundo onde estive parada no tempo, mas ver-te novamente a olhar para mim, nem que seja de relance... a sorrir.

Imagem do Google Imagens